Entrevista Gustaf Rosin

Conheci Gustaf através do projeto que idealizei e produzo com o Estúdio Manilha, o Manilha Sessions. E a partir de então temos conversado muito sobre música em todos os aspectos.

Para minha surpresa ele me convidou para palestrar no 1º CONAMUS (Congresso Nacional de Composição e Criatividade Musical). Evento online que contou com mais de 30 palestrantes de todos os perfis possíveis no meio musical. Pra saber mais clica aqui no site!

Agora confere só o bate papo que tivemos e como essa entrevista pode te ajudar em relação a EMPREENDEDORISMO MUSICAL!

Geração Y: Você é músico e atualmente idealizou e esteve à frente do CONAMUS. Na sua visão o músico precisa ser empreendedor?

Gustaf: O músico de uma forma geral, mas especialmente o independente, precisa respirar empreendedorismo. Nada como organizar um evento, mesmo que online (tem vantagens e desvantagens em relação a um evento presencial), para ter noção de quanto conhecimento e dedicação são necessários. Eu aprendi mais em 2 meses do que no resto de toda a minha vida.

E tem coisas tão simples que a gente chega a não acreditar em como poderia não fazer isso antes. Enfim, é um caminho de aprendizado constante. Tudo que aprendi no CONAMUS já estou aplicando na Møldar (minha banda).

Geração Y:  Criatividade musical já é algo que vem no DNA da pessoa ou se pratica?

Gustaf: A mensagem principal do CONAMUS foi exatamente para levantar a bandeira de que a criatividade, o poder de criação, é totalmente possível de ser trabalhado e desenvolvido. A prática como um hábito constante (diário, se possível) vai influenciar diretamente no processo criativo.

E é importante ressaltar aqui que eu não falo de inspiração, mas de criatividade mesmo. A inspiração é indomável. Aparece quando menos se espera e não temos nenhum controle sobre ela. Só nos resta estarmos preparados para registrar aquela ideia. Já a criatividade é como um músculo. Quanto mais a gente usa, mais forte ela fica.

Geração Y: De onde surgiu a ideia do CONAMUS?

Gustaf: Eu amo composição e comecei a sentir esse ímpeto de mostrar um pouco sobre como a composição funciona para mim, para outras pessoas. A ideia inicial era de fazer um blog, ou algo similar e compartilhar experiências, entrevistar convidados, etc. E essa ideia foi evoluindo até se tornar um evento online.

Tive a felicidade de acertar em todos os convites que fiz para palestrantes, de escolher baseado na área de cada um, e sinto que a gama de conteúdo que foi entregue foi quase avassalador! O foco no processo criativo e toda a bagagem sobre o que fazer em seguida. Definitivamente, eu sou um “pai” orgulhoso.

Geração Y: Qual a principal dificuldade que vê hoje para um músico?

Gustaf: A resposta clássica seria: “que os músicos não têm apoio, que ser independente é muito difícil, etc”. Na verdade, essa seria minha resposta até um ano atrás! Mas a verdade é que a maior dificuldade para o músico independente hoje é a falta de esclarecimento. Nós não sabemos de nada! Haha! Não conseguimos entender o mercado musical!

Nem o independente! A maior parte das bandas independentes hoje (e aqui eu ainda incluo a minha banda) é formada por amadores. Talvez até excelentes músicos, com excelentes músicas, mas sem nenhuma noção do que fazer com o seu produto final.

Então, definitivamente, a maior dificuldade é o “não saber empreender”. Entender que a banda, como uma organização, como uma instituição, precisa ter metas, objetivos alinhados, planos de marketing, prazos, e até relatórios e acompanhamento financeiro…

Ser independente na música significa aprender a se virar em todo o resto também.

Geração Y: Depois do CONAMUS, qual foi o seu principal aprendizado?

Gustaf: Meu e de todo mundo que participou. Não adianta ter uma bela música, que toca as pessoas, que carrega suas verdades mais sinceras, que quebra paradigmas se você não souber COMO alcançar as pessoas. E se você não souber QUAIS pessoas alcançar.

Geração Y: Pela troca de experiência dos palestrantes e dos congressistas, quais são os principais itens que os músicos sempre estão reclamando ou colocam em questão?

Gustaf: Acho que posso citar dois problemas cruciais. O primeiro é que todo músico sonha em viver da música. Essa foi uma tecla que batemos durante o congresso. O cara sonha com isso e legal! É um sonho, nada mais. Um sonho nada mais é do que uma imensa vontade de alcançar algo, mas não ter a menor ideia de como alcançar aquilo, haha. Não existem metas, planos. Não existe um objetivo traçado.

O segundo e, definitivamente, o maior problema é que os músicos/bandas sabem o porquê de fazerem música (ok, alguns nem isso sabem), sabem como fazer música, mas não sabem para quem eles fazem música. Exatamente o que citei na resposta anterior. Falta a habilidade de se conectar com o público. Seja em shows, nas redes sociais, ou mesmo nas músicas em si. Sem essa conexão, nada vai dar jeito.

>>>>>> Agradeço demais pela entrevista, espero que possa ter incomodado muita gente com minhas respostas, no mesmo nível em que eu me senti incomodado com a situação em que a minha banda se encontrava (ainda se encontra, não se resolve tudo da noite pro dia, mas identificar os problemas é o primeiro passo).