Entrevista Julio Salinas – Coaching Artítisco

Conheci Julio Salinas através da internet e por conhecer pessoas que o conheciam. Não sei dizer ao certo datas mas a verdade é que passei a acompanhar o trabalho dele e presenciar mudanças em muitas bandas, como mencionei na entrevista com o Rike da banda NDK. Julio está a frente da Seta Reta Gerenciamento & Produção Artistica, onde tem como missão, orientar e direcionar artistas, bandas e músicos para aperfeiçoarem seus trabalhos e carreiras e, assim, abreviar aprendizado para atingirem seus objetivos com inteligência mais rapidamente.

Falamos sobre direcionamento artístico, liderança na banda e sobre a cena musical brasileira como um todo. Então, pega seu caderno para anotar os insights que com certeza você terá! 😉

Geração Y: Julio, você que trabalha com bandas há um tempo, quando elas te procuram para trabalhar junto, quais são os principais itens que abordam?

Julio: São vários, mas depende do projeto, duas necessidades unanimes são: Vendas de Shows e para ter um Empresário (Investimento) na carreira.  Mas pouquíssimas bandas tem a visão de que precisam trabalhar certos pontos básicos para que possam criar uma base de fãs e consequentemente aumentar a demanda por shows e interessar investidores.

Geração Y: Qual a principal dificuldade na hora de motivar músicos?

Julio: Na verdade eu não faço um trabalho motivacional, mas a motivação do grupo e de cada membro vem de terem objetivo claro e definido. Esse é o motivo e a razão que se trabalharem realmente duro estarão naquele estado chamado de “motivação”. Logo estarão se sentindo bem, com a moral alta e então eu ajudo o grupo definir bem o objetivo e em seguida começamos a TRABALHAR. A dificuldade é a preguiça, a protelação, se a banda for muito preguiçosa e ficar deixando tudo para depois fodeu, eles perdem tempo, dinheiro e não haverá frases de efeito que ajudem hahaha.

Geração Y: Como fazer um Coaching Artístico em uma banda independente? Quais principais itens que você aborda?

Julio: Basicamente a banda precisa estar pré-disposta a fazer coisas diferentes para obterem resultados diferentes e melhores. Apresento novas formas de ver e de pensar, é uma configuração de mentalidade, o termo usado para isso é “mindset”, e então o desempenho do grupo melhora, tiramos uma mochila pesada, a corrida é a mesma, mas mais leve e efetiva.

Geração Y: Conheço e gosto muito da NDK e acredito que depois de iniciar um trabalho com você eles melhoraram muito. Poderia dizer quais itens abordou e como enxerga a banda hoje na cena musical autoral?

Julio: Verdade, é um case muito interessante e que me deixa orgulhoso dos resultados que estão obtendo, trabalhamos juntos a quase 4 anos. Fizemos uma imersão no projeto, estudamos o interno e o externo, inserimos uma nova mentalidade, nos desprendemos de padrões mentais antigos e muito muito trabalho no planejamento, tudo para ontem!

Atualmente vejo o NDK como um grupo forte, com uma base solida interna, todos realizando suas respectivas funções, a banda e a musica é a prioridade, não tem distrações e o lado artístico vem numa progressão incrível, o tal sucesso tão desejado não é a maior prioridade do projeto, pequenos e médios objetivos já foram atingidos, tem uma coleção de “pequenas” vitórias, isso vale muito, tem muito valor agregado, é uma banda que esta criando oportunidades e caminhos, sou fã.

Geração Y: Para conseguir viver de música, inicialmente é necessário se render ao cover?

Julio: Porque se render? Fazer cover não é estar submetido a um bárbaro. Artistas que executam composições de outros compositores fazem um trabalho honesto e digno como qualquer outro, para MIM tem tanta dignidade quanto um artista que está persistindo no seu caminho autoral, não concordo com essa abordagem eu realmente respeito todos os “operários” do mercado da música.

E um projeto de cover pode ser a única forma como alguns conseguem e até mesmo querem trabalhar, simples.

Comentário Geração Y: Vale lembrar que também respeitamos e achamos um trabalho honesto. A pergunta citada foi com relação à forma como artistas autorais lidam com o trabalho cover, muitas vezes por acharem que bandas cover “tomam” locais de shows em que elas deveriam tocar.

Geração Y: Como você vê a questão do cover X autoral?

Julio: O Autoral não é fácil e precisa de muito talento (ou não, mas não vou frisar e abrir uma discussão sobre, podemos falar sobre a “porcaria” musical em outra oportunidade rs), precisa de muita dedicação, tempo e dinheiro e o retorno não é imediato como no trabalho cover. É um investimento que pode levar um bom tempo para ter retorno, paciência e persistência é muito necessário.

Hoje em dia eu vejo muitos artistas autorais excelentes, muito bons e bons por aí, estou pesquisando o tempo todo e sempre tenho surpresas boas, tanto na qualidade musical como no modelo de trabalho, na gestão de carreira. Cover X Autoral são duas formas de trabalhar com musica e eu trabalho com ambas.

 

Geração Y: Nos últimos 10 anos passamos pelas fases musicais: emo, happy rock, e estou acreditando que agora é a vez da música meio “autoajuda”. Falo esse termo na questão de muitas pessoas e músicos estarem cada vez mais colocando letras de superação em suas músicas. Você enxerga da mesma forma?

Julio: Os gêneros que vc mencionou fizeram parte de um nicho pequeno da musica Brasileira, o Brasil tem uma puta riqueza musical, o Pará mesmo tem um universo paralelo que é genial haha acho demais!

Sim, nem é que enxergo, é uma constatação. Assim como os “Arrochas” e “Funks” falam praticamente do mesmo tema “Breja, Mulherada, Putaria, etc…”. Bandas de pop rock e reggae que estão na onda da “Good Vibes” e os “Acreditar, Ser Feliz, Sonhar, Agradecer e Gratidão” e como em tudo, tem coisas muitas legais nessa onda e outras nem tanto, faz parte.

Mas é o que eu falo, temos uma imensidão de possibilidades na internet, se a pessoa só fica esperando chegar “novidades” ela vai receber o mais do mesmo, mas garimpar musica é um passatempo muito divertido e encontram-se perolas !! Recomendo rs

Geração Y: Quais itens te chamam a atenção numa banda?

Julio: Sinceridade, personalidade, um compositor ou compositores inteligentes e atitude, independente do gênero, eu não sou uma ancora engessada, eu gosto muito de musica.

Geração Y: O músico precisa ser empreendedor?

Julio: Para mim sim.

Geração Y: Como um líder na banda motiva seus amigos? E o quão alinhados eles precisam estar?

Julio: Não sei a formula, já tive a oportunidade de conviver com artistas geniais, eles não se parecem, eles são fodas, são únicos, e estou dizendo sobre um líder de ”BANDA” hahaha.

Mas basicamente é permitir que os companheiros sejam e façam e precisam estar 100% alinhados.

2 respostas
  1. Gabriel Lima
    Gabriel Lima says:

    O termo “Coach” ainda é meio desconhecido aqui no Brasil, e o Julio é um cara q faz isso mto bem. Estou cada vez mais estudando os seus cases e de outros tbm.
    Esse universo do Coaching musical terá um caminho mto promissor pela frente!
    Bela entrevista. Parabéns!

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