Gustavo Bertoni – The Pilgrim

Em 2005, sob todo o glamour e caos que existe dentro de uma banda de rock, neste caso post-rock, Dallas Green, vocalista e guitarrista da famosa e extinta Alexisonfire, reuniu algumas composições próprias e, sobre a alcunha de City and Colour, lançou “Sometimes”, o primeiro disco de seu projeto pessoal. Sem berros e guitarras pesadas, apenas voz e violão. Meio acústico, meio folk, mas totalmente intimista, sensível e honesto.


A geração que cresceu ouvindo Alexisonfire, Thrice e outros artistas da mesma cena cresceram, formaram bandas e fizeram sucesso. O Scalene é uma delas, atualmente sendo um dos novos nomes do rock nacional.

A primeira vez que ouvi o Gustavo Bertoni – vocalista da banda – fora da Scalene, foi em um vídeo da Pexera Produções, onde ele faz um mashup de Blowing in The Wind, do Bob Dylan e Death Of Me, de City And Colour.

 

De lá pra cá quase dois anos se foram, o Scalene se conceituou e PLAW, a história se repetiu. O disco solo de Gustavo surpreendeu a todos. Diferente do rock explosivo e vibrante que podemos encontrar nos álbuns “Cromático” e “Real/Surreal” do Scalene, “The Pilgrim” é calmo, avelulado e quase um disco físico, tamanha sua sensibilidade.

Confira a resenha que fiz escutando a playlist do cd 0/

 

Black And White” abre o disco. Dançante, é impossível não viciar e não querer aprender logo os versos para cantar o refrão junto à música: “I watch your devil eyes as they deceive / Those who still believe in love like me / All you really wish is a true wish, / feeling like you truly feel a thing.”

Midnight Train” tem seus primeiros versos cantados ao piano, com um instrumental crescente ao longo da música, junto à entonação da voz. Com uma temática amorosa, pode se tornar uma ótima balada para empolgar e fazer a plateia cantar, em plenos pulmões, apaixonada.

What If I…” é uma velha conhecida dos fãs. Junto a “Old Friend” e “O’Lover” foi lançada em meados de 2011 em vídeos caseiros no Youtube, agora presentes no disco em versões cheias de qualidade.

Um dos pontos altos do disco é “God?“, quarta faixa que, ao meu ver, tem uma das letras mais intimistas de toda a obra. O questionamento sobre o amor, a vida e escolhas emociona aos que escutam: “Have I gone blind? / Have I lost my mind? / I can’t blame the world / For what I can’t see / Please bury me, but rescue my soul / When I’m ready, oh God, make me whole.”

Chegou ao ponto alto: “The Road“, a primeira faixa a ser lançada (o primeiro single?) reúne na medida certa todo o folk e pop presentes na obra. Com uma letra que encabeça o título do disco e uma batida viciante, a faixa fala sobre o explorar do mundo à fora e o peso da responsabilidade que todos temos que carregar no começo de alguma jornada. Ps: é a faixa que merece um clipe.

A partir daqui, o final do disco se aproxima. “The Man And The Wolf” é a faixa mais folk na obra.  Tocada quase que inteira no violão e voz, tem um final contagiante que deixa qualquer um com vontade de dançar ao lado de uma fogueira.

Gutter” é a cereja do bolo.  Uma espécie de folk rock que não cai no óbvio e une perfeitamente melodia e peso, sem cair no clichê. É a faixa entraria facilmente em algum disco do City and Colour, tamanha semelhança coma obra do Dallas. Dê uma atenção maior ao solo e aos teclados da música.

Contrapondo à intensidade da faixa anterior, “This One’s For You” vem em forma acústica retomar o fôlego antes do fim. Perfeita para ser cantada voz/violão em frente a uma multidão que ergue os braços e acende os isqueiros.

O encerramento acontece através de “Time“, o blues/rock/folk cheio de alternadas. É uma das minhas faixas favoritas, fala sobre o fim de um relacionamento, deixando uma mensagem clara: a vida segue. A vida sempre segue.

Produzido em parceria com Diego Marx, o disco teve todos os instrumentos gravados por Bertoni. A ‘obra de um homem só’ é um disco de alta qualidade, proveniente da cena de nomes como “Of Monsters and Men“; “Mumford & Sons” e, claro, “City And Colour“. Cena essa que se orgulharia do legado que deixou ao ouvir “The Pilgrim“, um disco honesto, tocante e cheio de sentimentos – e intensidade. Um disco para ser ouvido – e apreciado – por todos e que traz em si a prova de que existe música de qualidade produzida no Brasil.

 Aguardamos uma versão física.

The Pilgrim, Gustavo Bertoni

Lançamento: 29 de Janeiro de 2015
Gravadora: Independente
Origem:
Brasil
Estilo:
Folk
Para quem gosta de:
City and Colour, Mumford & Sons, Of Monsters and Men, Beirut